Mercado de carbono coloca Brasil no centro da transição energética global, aponta EY
Estudo destaca que o país reúne vantagens competitivas em energia limpa, agro, natureza e mercado de carbono, consolidando uma oportunidade estratégica para atrair investimentos e ampliar competitividade.

Ricardo Assumpção, sócio líder de sustentabilidade e CSO LATAM da EY. (Foto: Divulgação) A transição para uma economia de baixo carbono deixou de ser apenas uma agenda ambiental para ocupar um espaço central nas estratégias de crescimento das empresas e dos países. Segundo avaliação da EY, o mercado de carbono e os investimentos em ativos sustentáveis passam a desempenhar um papel decisivo na competitividade global, abrindo uma oportunidade inédita para o Brasil assumir protagonismo nesse novo cenário.
As conclusões foram apresentadas por Ricardo Assumpção, sócio-líder de Sustentabilidade e CSO LATAM da EY, após participação na London Climate Week Action, um dos principais encontros internacionais dedicados à agenda climática e aos investimentos em transição energética.
Sustentabilidade passa a integrar a estratégia de negócios
De acordo com Assumpção, a principal mudança observada no evento foi a consolidação da agenda climática como um tema econômico e empresarial.
As discussões deixaram de concentrar esforços apenas em compromissos ambientais para priorizar projetos capazes de atrair investimentos, reduzir riscos e gerar retorno financeiro.
"A agenda climática não entra apenas na agenda de risco. Ela passa a integrar definitivamente a agenda de negócios, competitividade e capital", afirma.
Segundo o executivo, temas como mercado de carbono, financiamento climático, infraestrutura energética e resiliência passaram a ser tratados como instrumentos fundamentais para preservar ativos, reduzir o custo de capital e aumentar a competitividade das empresas.
Brasil reúne ativos estratégicos para liderar essa transformação
Na avaliação da EY, o Brasil chega a esse momento em uma posição privilegiada.
O país reúne vantagens competitivas que poucos mercados conseguem oferecer simultaneamente, combinando matriz energética limpa, capacidade agrícola, biodiversidade e potencial de desenvolvimento do mercado de carbono.
Para Ricardo Assumpção, essa integração fortalece o posicionamento brasileiro diante dos investidores internacionais.
"Pela primeira vez conseguimos mostrar nossa capacidade de combinar natureza, agricultura, energia limpa e mercado de carbono como uma proposta integrada ao mundo", destaca.
O executivo observa que grandes setores da economia brasileira, como agronegócio, mineração, sistema financeiro e seguros, já incorporaram essa agenda às suas estratégias de crescimento.
Mercado de carbono entra em fase de consolidação
Outro destaque da London Climate Week foi o amadurecimento das discussões sobre o mercado de carbono.
Em vez do foco exclusivo na geração de créditos, o debate passou a priorizar aspectos como governança, rastreabilidade, certificação, segurança jurídica e infraestrutura financeira, elementos considerados essenciais para ampliar a confiança dos investidores.
Segundo Assumpção, o Brasil vive um momento decisivo para consolidar sua liderança nesse mercado.
"Pela primeira vez vimos um debate consistente sobre certificação brasileira, apoio do sistema financeiro e instrumentos capazes de dar confiança ao mercado. O país tem alguns anos de grande oportunidade para se posicionar como líder global", afirma.
Inteligência artificial também acelera a agenda climática
A inteligência artificial também ganhou espaço nas discussões, tanto como ferramenta de apoio quanto como desafio para a infraestrutura global.
Entre as aplicações destacadas estão modelagem climática, análise de riscos físicos, rastreabilidade das cadeias produtivas, eficiência energética e melhoria dos processos de governança corporativa.
Ao mesmo tempo, o crescimento acelerado dos data centers amplia o consumo de energia, água e infraestrutura, exigindo novos modelos de gestão e investimentos.
Competitividade dependerá cada vez mais da capacidade de execução
Para a EY, o principal desafio deixa de ser assumir compromissos públicos e passa a ser transformar estratégias em projetos concretos.
Nesse cenário, sustentabilidade passa a ser tratada como infraestrutura econômica capaz de gerar valor, atrair investimentos e fortalecer a posição competitiva das empresas.
"Neste momento, precisamos de menos promessa e mais entrega", resume Ricardo Assumpção.
Ao integrar ativos naturais, energia renovável, mercado de carbono e inovação, o Brasil reúne condições para ocupar uma posição de liderança na economia de baixo carbono. O avanço dessa oportunidade, entretanto, dependerá da capacidade de transformar potencial em execução, criando um ambiente confiável para investimentos e desenvolvimento de longo prazo.



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