Intenção de compra de carros recua no Brasil, mas permanece acima da média das Américas, aponta EY
Estudo revela mudança no comportamento do consumidor, avanço das marcas europeias e chinesas e uma nova fase na eletrificação do mercado automotivo.

Marcelo Frateschi, sócio-líder para o setor automotivo da EY Brasil. (Foto: Divulgação)
O interesse do consumidor brasileiro pela compra de automóveis continua elevado, mas começa a dar sinais de desaceleração. Segundo a mais recente edição do Índice de Mobilidade do Consumidor (MCI), elaborado pela EY, 68% dos brasileiros afirmam ter intenção de adquirir um veículo, índice quatro pontos percentuais inferior ao registrado em 2024.
Apesar da retração, o Brasil permanece acima da média das Américas, onde 58% dos consumidores manifestam intenção de compra, indicando que o mercado nacional segue como um dos mais relevantes para a indústria automotiva.
Consumidor adia decisões, mas mantém intenção de compra
O levantamento mostra que a demanda permanece consistente, embora em um ritmo mais cauteloso.
Entre os consumidores interessados em adquirir um automóvel:
64% pretendem realizar a compra nos próximos 12 meses;
38% projetam a aquisição entre 13 e 24 meses.
Segundo Marcelo Frateschi, sócio-líder do setor automotivo da EY Brasil, a redução reflete uma mudança de comportamento, sem comprometer a atratividade do mercado brasileiro.
"O percentual de 68% continua acima da média regional, apesar da queda observada em relação ao ano anterior", afirma.
Preferência por marcas europeias cresce e chinesas ganham espaço
O estudo também aponta mudanças relevantes na percepção das marcas automotivas.
As fabricantes europeias ampliaram sua preferência entre os consumidores brasileiros e passaram a liderar a intenção de compra em diferentes categorias de veículos, incluindo modelos a combustão, híbridos e elétricos.
Segundo o levantamento:
76% dos entrevistados demonstram preferência por marcas europeias;
24% já apontam interesse por fabricantes chinesas, evidenciando o avanço dessas empresas no mercado nacional.
O cenário acompanha o aumento da presença de montadoras asiáticas no Brasil e a intensificação da concorrência em segmentos ligados à eletrificação e novas tecnologias.
Compra digital avança, mas concessionárias seguem protagonistas
Embora a digitalização continue transformando a jornada do consumidor, a experiência presencial ainda exerce papel central na decisão de compra.
De acordo com o estudo:
36% preferem concluir a negociação em concessionárias;
28% optam pelos canais totalmente online;
36% combinam experiências digitais e presenciais, utilizando ambos os formatos ao longo do processo de compra.
O modelo híbrido confirma uma tendência observada em diferentes segmentos do varejo: consumidores valorizam conveniência digital, mas continuam recorrendo ao atendimento presencial nas etapas decisivas.
Eletrificação entra em uma nova etapa de maturidade
O levantamento também revela mudanças na preferência por tipos de motorização.
A participação dos veículos movidos exclusivamente a combustão aumentou de 35% para 49% entre os consumidores brasileiros.
Já o interesse por veículos totalmente elétricos permaneceu estável em 9%, indicando um período de consolidação do mercado.
Para Ricardo Assumpção, líder de Sustentabilidade e CSO da EY para a América Latina, o cenário representa uma mudança de percepção, e não um retrocesso da eletrificação.
"A eletrificação amadureceu e não seguirá uma trajetória única para todos os países. Cada mercado desenvolverá seu próprio modelo de transição."
Segundo o executivo, o Brasil tende a construir uma estratégia própria, baseada na combinação entre etanol, veículos híbridos flex, eletrificação de frotas e expansão gradual dos veículos totalmente elétricos conforme a viabilidade econômica evoluir.
Mercado entra em uma fase de escolhas mais racionais
Os dados da EY indicam que o consumidor continua interessado em renovar sua frota, mas passa a avaliar fatores econômicos, infraestrutura e custo-benefício com maior rigor.
Ao mesmo tempo, montadoras aceleram investimentos em novas tecnologias e diversificam seus portfólios para atender a um mercado que valoriza soluções práticas, eficiência e flexibilidade.
Mais do que uma desaceleração da demanda, o estudo aponta para uma nova fase do setor automotivo, marcada por decisões de compra mais estratégicas e por uma transição tecnológica que tende a ocorrer de forma gradual e adaptada às características de cada mercado.



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