Exportações aos EUA avançam, mas empresas ainda veem risco de novas tarifas

Acesso ao mercado americano melhora, enquanto incertezas regulatórias seguem no radar das empresas

Abrão Neto, presidente da Amcham Brasil. (Foto: Divulgação) A relação comercial entre Brasil e Estados Unidos volta a ganhar tração, mas ainda longe de um cenário plenamente estável. O avanço recente no acesso ao mercado americano convive com um ambiente de cautela entre empresas exportadoras, que seguem atentas a possíveis mudanças nas regras do jogo.
Dados apresentados pela Amcham Brasil indicam que cerca de 45% das exportações brasileiras já entram nos Estados Unidos sem sobretaxas, o equivalente a aproximadamente US$ 14 bilhões em produtos. O movimento marca uma melhora relevante em relação ao cenário recente, especialmente após decisões institucionais e a retomada do diálogo entre os dois países.
Ambiente mais favorável, mas ainda em transição
Apesar da evolução, o momento ainda é de ajuste. A percepção predominante entre empresas que operam na relação bilateral é de que o cenário segue sujeito a mudanças.
Levantamento com exportadoras brasileiras e americanas aponta que:
86% demonstram preocupação com novos aumentos tarifários
76% citam incertezas regulatórias e comerciais
46% destacam riscos ligados a investigações comerciais
Além disso, uma parcela relevante das empresas avalia que ainda é cedo para medir os impactos concretos das mudanças recentes, o que reforça o caráter transitório do atual cenário.
Retomada do diálogo e impacto na competitividade
A melhora nas condições de acesso ocorre após um período de forte restrição. Em 2025, sobretaxas chegaram a atingir quase 80% das exportações brasileiras, especialmente no setor industrial, comprometendo a competitividade no mercado americano.
A partir do segundo semestre, a reaproximação entre os governos e decisões no âmbito institucional abriram espaço para uma redução gradual dessas barreiras.
O fluxo comercial entre os dois países, que supera US$ 100 bilhões anuais, reforça o peso estratégico da relação e a relevância de sua estabilidade para ambos os lados.
Empresas entre cautela e oportunidade
Mesmo diante das incertezas, há sinais de movimento. Parte das empresas já indica intenção de ampliar exportações para os Estados Unidos, aproveitando o ambiente mais favorável.
Ao mesmo tempo, mais de 90% dos executivos apontam o diálogo entre governos como fator central para o avanço das relações comerciais, evidenciando a dependência de alinhamento institucional para garantir previsibilidade.
Entre os temas prioritários estão:
evitar novas tarifas
reduzir barreiras não tarifárias
avançar em áreas como propriedade intelectual e economia digital
Agenda econômica e próximos movimentos
A Amcham Brasil sinaliza que deve levar aos próximos ciclos políticos uma agenda estruturada em três frentes:
desafios estruturais do país
melhoria do ambiente de negócios
fortalecimento das relações econômicas internacionais
No campo bilateral, a tendência é de avanço em temas estratégicos como tecnologia, infraestrutura digital, agricultura e minerais críticos, áreas que ganham relevância na agenda global.
Um cenário que exige leitura estratégica
A atual fase da relação Brasil-EUA exige mais do que adaptação operacional. Para empresas exportadoras, o desafio passa por interpretar movimentos políticos, regulatórios e econômicos de forma integrada.
Mais do que acesso a mercado, o contexto atual demanda capacidade de antecipação e posicionamento estratégico.
Dentro do ambiente do LIDE Goiás, discussões como essa reforçam a importância de lideranças conectadas ao cenário global, capazes de transformar incerteza em decisão e oportunidade em crescimento estruturado.



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