Exportações aos EUA avançam, mas empresas ainda veem risco de novas tarifas
- Gabriel V.
- 7 de abr.
- 2 min de leitura
Acesso ao mercado americano melhora, enquanto incertezas regulatórias seguem no radar das empresas

Abrão Neto, presidente da Amcham Brasil. (Foto: Divulgação) A relação comercial entre Brasil e Estados Unidos volta a ganhar tração, mas ainda longe de um cenário plenamente estável. O avanço recente no acesso ao mercado americano convive com um ambiente de cautela entre empresas exportadoras, que seguem atentas a possíveis mudanças nas regras do jogo.
Dados apresentados pela Amcham Brasil indicam que cerca de 45% das exportações brasileiras já entram nos Estados Unidos sem sobretaxas, o equivalente a aproximadamente US$ 14 bilhões em produtos. O movimento marca uma melhora relevante em relação ao cenário recente, especialmente após decisões institucionais e a retomada do diálogo entre os dois países.
Ambiente mais favorável, mas ainda em transição
Apesar da evolução, o momento ainda é de ajuste. A percepção predominante entre empresas que operam na relação bilateral é de que o cenário segue sujeito a mudanças.
Levantamento com exportadoras brasileiras e americanas aponta que:
86% demonstram preocupação com novos aumentos tarifários
76% citam incertezas regulatórias e comerciais
46% destacam riscos ligados a investigações comerciais
Além disso, uma parcela relevante das empresas avalia que ainda é cedo para medir os impactos concretos das mudanças recentes, o que reforça o caráter transitório do atual cenário.
Retomada do diálogo e impacto na competitividade
A melhora nas condições de acesso ocorre após um período de forte restrição. Em 2025, sobretaxas chegaram a atingir quase 80% das exportações brasileiras, especialmente no setor industrial, comprometendo a competitividade no mercado americano.
A partir do segundo semestre, a reaproximação entre os governos e decisões no âmbito institucional abriram espaço para uma redução gradual dessas barreiras.
O fluxo comercial entre os dois países, que supera US$ 100 bilhões anuais, reforça o peso estratégico da relação e a relevância de sua estabilidade para ambos os lados.
Empresas entre cautela e oportunidade
Mesmo diante das incertezas, há sinais de movimento. Parte das empresas já indica intenção de ampliar exportações para os Estados Unidos, aproveitando o ambiente mais favorável.
Ao mesmo tempo, mais de 90% dos executivos apontam o diálogo entre governos como fator central para o avanço das relações comerciais, evidenciando a dependência de alinhamento institucional para garantir previsibilidade.
Entre os temas prioritários estão:
evitar novas tarifas
reduzir barreiras não tarifárias
avançar em áreas como propriedade intelectual e economia digital
Agenda econômica e próximos movimentos
A Amcham Brasil sinaliza que deve levar aos próximos ciclos políticos uma agenda estruturada em três frentes:
desafios estruturais do país
melhoria do ambiente de negócios
fortalecimento das relações econômicas internacionais
No campo bilateral, a tendência é de avanço em temas estratégicos como tecnologia, infraestrutura digital, agricultura e minerais críticos, áreas que ganham relevância na agenda global.
Um cenário que exige leitura estratégica
A atual fase da relação Brasil-EUA exige mais do que adaptação operacional. Para empresas exportadoras, o desafio passa por interpretar movimentos políticos, regulatórios e econômicos de forma integrada.
Mais do que acesso a mercado, o contexto atual demanda capacidade de antecipação e posicionamento estratégico.
Dentro do ambiente do LIDE Goiás, discussões como essa reforçam a importância de lideranças conectadas ao cenário global, capazes de transformar incerteza em decisão e oportunidade em crescimento estruturado.



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