IA e cibersegurança expõem limites da transformação digital no setor de telecom
- Gabriel V.
- 6 de abr.
- 3 min de leitura
O setor de telecomunicações sempre esteve na linha de frente da adoção tecnológica. Ainda assim, enfrenta dificuldades relevantes para transformar esse avanço em execução consistente.

José Ronaldo Rocha, sócio e líder de consultoria para Tecnologia, Mídia & Entretenimento e Telecomunicações da EY para América Latina. (Foto: Divulgação)
Estudo da EY aponta que desafios ligados à inteligência artificial e à cibersegurança estão entre os principais riscos para o setor em 2026. O dado revela um cenário mais complexo: não é falta de tecnologia, mas dificuldade de implementar, integrar e governar essas soluções.
A adoção de IA avança, mas não escala
A inteligência artificial já é reconhecida como uma peça central para o futuro das telecoms. Mesmo assim, a aplicação prática ainda é limitada.
Segundo o levantamento, há um desalinhamento claro:
33% dos CEOs pretendem acelerar investimentos em IA
32% estão reduzindo ou reavaliando esses aportes
Esse equilíbrio indica incerteza na captura de valor. Empresas investem, mas ainda não conseguem traduzir tecnologia em eficiência ou novas receitas.
Governança e estrutura travam execução
O principal obstáculo não está na tecnologia em si, mas na base que sustenta sua aplicação.
Entre os desafios mais relevantes:
falta de governança estruturada para IA
restrições de recursos financeiros e operacionais
dificuldade de integrar sistemas
Sem esses elementos, a inteligência artificial tende a ficar restrita a iniciativas isoladas, sem impacto real no negócio.
Cibersegurança se torna risco crítico em um ambiente mais vulnerável
Ao mesmo tempo, o avanço digital amplia a superfície de risco.
O crescimento de fraudes e ataques, especialmente com uso de IA, coloca pressão sobre as estruturas de segurança das empresas. Segundo a EY, muitas organizações ainda não estão preparadas para lidar com esse nível de sofisticação.
O impacto vai além do operacional:
aumento da desconfiança do consumidor
risco reputacional
perdas financeiras diretas
A tecnologia que impulsiona o negócio também aumenta sua exposição.
Sistemas legados continuam sendo o principal entrave
Um dos pontos mais críticos apontados pelo estudo é a persistência de sistemas antigos.
Mesmo com avanço do 5G e novas tecnologias, grande parte das telecoms ainda opera com infraestrutura legada, o que gera:
aumento de custo operacional
dificuldade de integração
limitação na inovação
Além disso, o processo de desativação de redes antigas, como 2G, 3G e cobre, adiciona uma camada extra de complexidade.
Transformação digital sem eficiência não se sustenta
O desafio central passa a ser econômico.
Não basta investir em novas tecnologias. É necessário garantir que esses investimentos gerem:
eficiência operacional
novos modelos de receita
escalabilidade
Sem isso, a transformação digital deixa de ser alavanca de crescimento e passa a ser apenas aumento de custo.
O que esse cenário revela para outros setores
Embora o estudo seja focado em telecom, o padrão se repete em outros segmentos.
Empresas que não conseguem integrar tecnologia, dados e governança enfrentam o mesmo problema:
inovação que não escala
investimentos que não retornam
risco crescente
A diferença é que, no caso das telecoms, isso aparece primeiro por conta da complexidade estrutural do setor.
Conexão com o LIDE Goiás
Esse tipo de desafio não está restrito a um setor específico. Ele reflete uma transição mais ampla na forma como empresas lidam com tecnologia.
É nesse ponto que o ambiente do LIDE ganha relevância. A troca entre líderes permite antecipar gargalos que ainda não são visíveis na operação, mas que já impactam competitividade.
Porque, hoje, não é a adoção de tecnologia que diferencia empresas. É a capacidade de fazer essa tecnologia funcionar.



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