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Lei do Bem impulsiona investimentos em inovação e supera R$ 50 bilhões no Brasil

  • Gabriel V.
  • 26 de mar.
  • 3 min de leitura

Avanço consolida política como pilar do P&D, mas empresas ainda enfrentam desafios de gestão e adesão

Avanço consolida política como pilar do P&D, mas empresas ainda enfrentam desafios de gestão e adesão

Rodrigo Miranda, CEO da G.A.C. Brasil. (Foto: Divulgação)

A inovação deixou de ser uma agenda periférica para se tornar variável central de competitividade. No Brasil, esse movimento ganha escala à medida que instrumentos como a Lei do Bem passam a ser incorporados à estratégia das empresas.

Nos últimos dez anos, os investimentos em pesquisa e desenvolvimento (P&D) reportados por meio da legislação saltaram de cerca de R$ 9 bilhões para mais de R$ 50 bilhões, um crescimento de 457% que consolida o mecanismo como um dos principais vetores da inovação no país.


Crescimento consistente e maior adesão empresarial


Os dados mais recentes indicam um amadurecimento do ecossistema. Em 2024, foram registrados:

  • 14.877 projetos aprovados

  • 4.252 empresas participantes

  • R$ 11,98 bilhões em renúncia fiscal

O avanço não se limita ao volume financeiro. O número de empresas participantes quase quadruplicou no período, indicando uma ampliação do uso do instrumento no ambiente corporativo.

Para Rodrigo Miranda, CEO da G.A.C. Brasil, o crescimento reforça a eficiência da política.

“Quando bem utilizada, a Lei do Bem gera resultados concretos em inovação e produtividade, impactando diretamente o crescimento econômico”, afirma.


Inovação integrada à operação das empresas


O principal fator por trás desse avanço está na mudança de comportamento das organizações. A inovação passa a ser incorporada à operação, com foco em:

  • automação de processos

  • uso de dados

  • digitalização industrial

  • desenvolvimento de novos produtos

Setores como químico, farmacêutico, máquinas e equipamentos, além de automotivo e energia, lideram esse movimento, refletindo maior intensidade tecnológica e necessidade de ganho de eficiência.


Desafios de gestão ainda limitam expansão


Apesar do crescimento, a adesão ainda está abaixo do potencial. O principal obstáculo não está na legislação, mas na capacidade interna das empresas de estruturar a inovação.

Entre os desafios mais recorrentes:

  • ausência de governança clara

  • falta de processos estruturados

  • dificuldade em mensurar resultados

  • desconexão entre estratégia e execução

Na prática, muitas empresas investem em inovação sem conseguir converter esse esforço em vantagem competitiva.

Sem método e acompanhamento, a inovação tende a ser percebida como custo, e não como investimento estratégico.


Desigualdade regional evidencia espaço para avanço


A distribuição dos investimentos ainda é concentrada.

O Sudeste lidera com ampla vantagem, concentrando a maior parte dos projetos e recursos. Em contraste, regiões como Norte e Centro-Oeste apresentam participação mais limitada, evidenciando um desequilíbrio no acesso e na estruturação da inovação.

Esse cenário reforça a necessidade de ampliar a disseminação de conhecimento e fortalecer a capacidade de gestão em diferentes regiões do país.


Brasil avança, mas ainda distante de mercados mais maduros


Na comparação internacional, o Brasil evoluiu em instrumentos e capacidade de execução, mas ainda apresenta menor intensidade de investimento e maturidade em gestão.

Em países como a França, incentivos à inovação são incorporados de forma mais natural à estratégia empresarial, com maior previsibilidade e uso contínuo.

No Brasil, fatores como insegurança jurídica e falta de estrutura interna ainda limitam o uso pleno dos mecanismos disponíveis.


Inovação como sistema, não como iniciativa isolada


O movimento mais relevante em curso é a transição da inovação informal para a inovação estruturada.

Empresas passam a adotar:

  • governança definida

  • indicadores claros

  • processos documentados

  • integração entre áreas

Esse avanço aumenta a eficiência dos projetos e amplia a capacidade de capturar incentivos fiscais de forma estratégica.


Tendências que devem moldar o próximo ciclo


O ambiente de inovação tende a ser impactado por três vetores principais:

  • inteligência artificial aplicada à produtividade

  • decisões orientadas por dados

  • maior exigência por retorno sobre investimento

Nesse cenário, a organização de portfólio, governança e integração entre áreas passa a ser determinante para capturar valor.


Um pilar estratégico para o crescimento empresarial


A evolução da Lei do Bem evidencia um ponto central: o Brasil já dispõe de instrumentos relevantes para impulsionar inovação, mas o diferencial está na capacidade de execução das empresas.

Mais do que investir, o desafio passa a ser estruturar, medir e integrar a inovação ao negócio.

Dentro do ambiente do LIDE Goiás, esse debate reforça a importância de lideranças capazes de transformar incentivos em estratégia e inovação em resultado concreto.

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